Meias palavras pra eternos engasgados?

Sempre achei que devíamos vivenciar coisas as quais nos interessasse ter uma opinião formada. E como sou melhor em experimentar que em ouvir, posso agora usar das minhas próprias experiências pra falar sobre o que eu vejo e quase ninguém vê, ou que todo mundo vê e eu analiso. Por isso acho importante deixar claro coisas que vivi sobre o assunto que quero abordar.
Em grande parte da minha curta idade, costumo dizer que  inverti a polaridade da minha bússola, fazendo assim, com que cada fuga minha fosse um neologismo, um universo paralelo, uma experiência didática, qualquer coisa que não fosse assumir meu desprezo pela minha própria história. Tendo a lucidez que tenho, fugir convivendo com o conceito da fuga é ainda pior, então se em um dia se está num banheiro sujo de um inferninho qualquer disparando o coração, no outro se acorda ao lado de duas coxas indesejáveis que obviamente são motivo de fuga, fuga essa que provavelmente será resumida em três ou quatro comprimidos da turma dos psicotrópicos misturado com um ou dois copos de vodka, e não, não termina aí; acorda-se depois disso e nenhum hormônio parece ser liberado, os espelhos parecem descrever a compreensível forma patética que o corpo toma, e volta-se ao princípio.

É disso que quero falar, da physis, não quero aqui desenhar minhas desventuras e devaneios, quero contestar o costume destrutivo de se negar o olhar ao foco real do problema.

As pessoas só saem de suas próprias ideologias já elaboradas – e claro, não por elas mesmas – quando o estado de conforto que tanto se preza cai por água abaixo, o problema é que quando chega esse momento, quando uma notícia ou um acontecimento se revela, não há mais como saber o que exatamente está se passando com o objeto da fuga, o que é produto de sua história, de seus conflitos e o que é efeito desta profusão de alívios externos.

Então se resolve parcialmente o problema físico, joga-se um pouco da sujeira ali, outro acolá e continua-se a viver, falando do assunto de maneira que se percebe a dificuldade de se deitar com a verdade, dificuldade essa que leva milhares de pessoas todos os dias a criarem histórias confortáveis pra elas mesmas antes de dormirem e viverem uma vida inteira de ilusões.

Tudo que digo aqui tanto incompreensível é pra você, quanto dolorido é em mim.

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